Mudar o modo de ver o mundo não
é ter um otimismo ingênuo ou uma euforia artificial com intenção de
contrabalançar a adversidade. Enquanto formos escravos da insatisfação e da
frustração que surgem da desordem que domina a nossa mente, será tão inútil
dizer a si mesmo “Sou feliz! Sou feliz!”, muitas e muitas vezes, quanto seria
repintar um muro em ruínas.
Buscar a felicidade não é olhar
para a vida através de óculos cor-de-rosa ou cegar-se para a dor e as
imperfeições do mundo. Nem é a felicidade, tampouco, um estado de exaltação que
deva ser perpetuado a qualquer custo; mas, sim, um processo de purgar as
toxinas mentais, como o ódio e a obsessão, que envenenam a mente. É também
aprender como colocar as coisas em perspectiva e reduzir a distância entre as
aparências e a realidade.
Para esse fim, devemos adquirir
um conhecimento melhor sobre como a mente funciona e ter uma percepção mais
precisa sobre a natureza das coisas, pois, no sentido mais profundo, o
sofrimento está intimamente ligado a um mal-entendido sobre a natureza da
realidade.
“Felicidade”,
cap. 6
